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A história do bairro de Santa Olímpia 2017-07-04T18:41:20+00:00

A História

“Verificada a guerra violenta da Alemanha contra a emigração de seus
habitantes para o Brasil, esta fonte não poderia ter sido melhor substituída
senão pelos habitantes das terras do Tirol. As famílias são autenticamente
patriarcais, seja pela dimensão, seja pela moralidade, união e amor ao
trabalho. Sendo certo que a colonização não deve ser afrontada unicamente
como elemento de evolução material, isto é, braços, mas decididamente
valorizada como elemento de evolução social, que retempera o sangue e a
virilidade brasileira, e coopera proficuamente para a nossa civilidade,
parece que a esse desejo, melhor correspondem os emigrantes tiroleses”

Joaquim Bonifácio do Amaral, Visconde de Indaiatuba, 1879.

Histórico

Com a constante crise que assolava a Europa no final do século XIX, assim como a escassez de trabalho, muitas famílias decidiram deixar suas terras e se arriscarem no novo mundo, na esperança de poder encontrar melhores condições sociais.

Na Europa do final do século XIX, iniciaram-se conflitos regionais e os Estados nacionais começaram a se firmar; as monarquias perderam espaço e prestígio e este período iniciou o trágico processo que desencadearia as duas grandes guerras mundiais. O Império Austro-Húngaro, outrora poderoso, começava a sofrer com conflitos regionais, pois dominava para si grandes extensões de terras, com povos de etnias, línguas, culturas e religiões diversas. Tal realidade, agravada com as crises comerciais, resultaram em uma pobreza muito grande, principalmente nas áreas rurais. Essa situação não foi diferente nas belas, porém pobres terras alpinas.

No período do Império Austro-Húngaro, a região do Tirol, de onde são originários os emigrantes trentinos, era formado por duas Províncias: Tirol do Norte e Tirol do Sul, sendo esta última dividida entre Província de Bolzano e Província de Trento. A região trentina, incrustada nas montanhas Dolomitas, era a região tirolesa onde o idioma principal era o italiano e, ainda que em formas dialetais, sua identidade cultural fez com que, anos mais tarde, a província requeresse sua autonomia governamental. No final da I Guerra Mundial (1918), a porção sul do Tirol foi anexada à Itália, passando a ser chamada Regione Trentino-Alto Adige, formando uma região autônoma.

O Trentino estava sob domínio austríaco quando o Império Brasileiro fazia propagandas para o recrutamento de emigrantes, visando substituir o contingente de mão de obra outrora escrava. A difícil situação política e social fez com que muitas famílias tirolesas emigrassem, com o sonho de “fazer a América”. Vindas principalmente da região trentina, o Brasil instalou seus emigrantes nas regiões Sudeste e Sul principalmente; essas famílias seguiam rumo ao campo, para trabalhar nas lavouras de café.

A Jornada

Incentivados pela família Stenico, originária do Distrito de Romagnano e que estava no Brasil desde 1877, outras famílias seguiram o mesmo caminho da emigração. Em dezembro de 1881, deixaram o Tirol as famílias Correr, Forti, Brunelli e Pompermayer (Distrito de Romagnano), Degaspari (Distrito de Sardagna), Christofoletti (Distrito de Cortezano e Vigo Meano).

Em 24 de dezembro de 1881, os novos imigrantes desembarcaram com o navio alemão Frankfurt no Rio de Janeiro e no dia 31 de dezembro em Santos. Os trentinos vieram fazer a América, assim como os demais imigrantes. De Santos, seguiram diretamente para a Fazenda Sete Quedas, de propriedade do Sr. Visconde de Indaiatuba (na cidade de Campinas), onde trabalharam como colonos, sob um regime de parceria.

O visconde sentia-se muito satisfeito diante da sinceridade e honradez dos novos colonos, impressionando-se com a piedade e religiosidade dos tiroleses, que os conservava unidos e fiéis nas tarefas da lavoura.

Segundo os relatos dos mais antigos moradores, o próprio Imperador do Brasil, Dom Pedro II, foi um dia conhecer a colônia. Conta-se que muito se agradou com os tiroleses, pois D. Pedro II era por parte materna descendente da Casa Imperial austríaca e sua mãe, a Imperatriz Maria Leopoldine von Habsburg, viveu alguns anos na cidade de Innsbruck, capital do antigo Tirol.

Terminados os contratos da fazenda, os colonos mudaram-se para Piracicaba, trabalhando na fazenda Monte Alegre. Após quatro anos de árduo trabalho, as famílias compraram com o que economizaram a Fazenda Santa Olímpia, no município de Piracicaba. Iniciou-se, assim, em 1892, a fundação daquele que seria posteriormente o Bairro Santa Olímpia. Seus principais núcleos famíliares eram formados pelas famílias Correr, Pompermayer, Stenico, Christofoletti, Brunelli, Degaspari, Forti, Veneri, Negri e Zotelli.

Inicialmente, os colonos trabalharam com o café, pois o cultivo deste ainda era promissor no final do século XIX; com a crise, na década de 1920, teve início o cultivo de algodão e posteriormente o de cana de açúcar. Em menor escala eram cultivados o arroz, milho, feijão e hortaliças, além da criação de animais. Os núcleos familiares produziam o açúcar e o vinho próprios. Havia uma única serralheria, pertencente a Luiz Negri; a luz elétrica chegou em meados da década de 1950 e com ela alguns progressos ao bairro. O cultivo da cana de açúcar ainda é mantido por algumas famílias locais. A distância entre o bairro e o centro urbano de Piracicaba contribuiu para a manutenção de certos hábitos locais, hoje mantidos muito mais pelo sentido de preservação do que prático.

Os trentinos-tiroleses de Santana

Também em razão da crise econômica no Império Austro-Húngaro, em 1877 o patriarca Bortolo Vitti, sua esposa Maria Sartori e seus dez filhos (oito homens e duas mulheres) saíram do Tirol e emigraram para o Brasil na esperança de melhores condições. Tendo aqui chegado, também se instalaram como colonos na Fazenda Sete Quedas, do Visconde de Indaiatuba, junto com os demais emigrantes tiroleses.

Permaneceram cerca de dez anos na fazenda e depois se mudaram para o pequeno Sítio do Rio Cabeça, no município de Rio Claro. Por meio de um frade capuchinho, souberam que próximo à Fazenda Santa Olímpia, propriedade de seus parentes tiroleses, havia outra fazenda à venda; com suas economias, adquiriam em 1893, em sociedade, a Fazenda Sant’Ana, que, após alguns anos tornar-se-ia o Bairro Santana. Outras famílias tirolesas se estabeleceram na fazenda Sant’Ana e, através de casamentos, surgiram parentescos entre famílias dos bairros Santana e Santa Olímpia.

Os bairros Santa Olímpia e Santana formam, assim, o núcleo de colonização trentina de Piracicaba. Juntos, são uma das mais expressivas colônias de imigrantes de toda a região, em razão de seu desenvolvimento econômico e da influência cultural que hoje exercem no município de Piracicaba e demais cidades vizinhas, buscando sempre preservar, difundir e manter as tradições trentino-tirolesas.

Fotos antigas de Santa Olímpia